Transtornos Alimentares: Grupo UniEduK na Gazeta de São Paulo

A endocrinologista pediatra, Lívia Franco, coordenadora de série do curso de Medicina do Grupo UniEduK, contribuiu com o texto sobre transtornos alimentares em crianças e adolescentes publicado na coluna Saúde do portal de notícias Gazeta de São Paulo. O texto foi escrito por Gladys Magalhães. O mesmo conteúdo foi compartilhado pelo Diário do Litoral.  

Confira o texto da Gazeta de São Paulo na íntegra:

Alerta: transtornos alimentares também atingem crianças e adolescentes

Segundo pesquisa, uma a cada cinco crianças e adolescentes sofrem com algum tipo de transtorno alimentar

Uma pesquisa publicada recentemente pelo periódico científico Jama Pediatrics mostra que uma a cada cinco crianças e adolescentes, entre 6 e 18 anos, sofre com algum tipo de transtorno alimentar.

O estudo, realizado em 16 países, incluindo o Brasil, foi conduzido por pesquisadores das Universidades de Harvard, nos Estados Unidos, de Castilla-La Mancha, na Espanha, de Cambridge, no Reino Unido, e pela brasileira Universidade Estadual de Londrina.

Para os pesquisadores, o índice é alarmante, sendo que os números pioram quando envolvem apenas meninas: quase 30% delas sofrem com algum transtorno alimentar.

 

Transtorno alimentar

De acordo com o psiquiatra Wimer Bottura, presidente do comitê de adolescência da Associação Paulista de Medicina, os transtornos alimentares são transtornos mentais ou emocionais que se manifestam no comportamento alimentar, gerando repulsa à alimentação, excesso de escolhas, entre outros.

As causas dos transtornos são diversas, indo da genética ao ambiente, conforme explica a endocrinologista pediatra Lívia Franco, coordenadora do curso de Medicina do Grupo UniEduK. “Durante a pandemia, esses comportamentos aumentaram por conta do isolamento social. Mas, há várias questões que podem levar a criança a desenvolver esses transtornos, como o ambiente que ela está inserida, genética, entre outros. Os pais, por exemplo, devem evitar juízo de valor sobre os corpos das pessoas, sobretudo na frente das crianças.”

No caso dos adolescentes, para a pediatra Talita Lodi, parte do corpo clínico do Hospital Sepaco, a própria fase de vida pode levar ao desenvolvimento de comportamentos inadequados em relação à alimentação.

“Em um período de mudanças e transformações corporais como na adolescência, há margem para insatisfação corporal. O comportamento alimentar é muito influenciado pelo círculo de amizades e principalmente pela mídia, como diversos grupos na rede pró-anorexia e bulimia. O mundo globalizado e dinâmico também não contribui, pois favorece a preferência por alimentos industrializados de rápido consumo e hipercalóricos ao invés de escolhas mais naturais”, observa Talita.

A pediatra do Hospital Sepaco lembra ainda que 70% dos transtornos alimentares apresentam relação com outros transtornos psiquiátricos como transtorno bipolar, depressão e ansiedade. “Entre outros fatores de risco também há o bullying e um ambiente familiar conflituoso”, completa.

 

Como ajudar?

De acordo com os profissionais, os pais devem ficar sempre atentos aos comportamentos dos filhos e buscar ajuda nos primeiros sinais de mudanças das crianças e adolescentes com relação à alimentação.

“É importante para os pais ficarem atentos a comportamentos alimentares de risco, como dietas alimentares restritivas, a exemplo das famosas dietas “da água” ou “da lua”, jejuns prolongados ou ingestão de grandes quantidades de alimentos em uma única ocasião. Também deve-se notar comportamentos como vômitos recorrentes e autoprovocados, uso de laxantes e diuréticos, prática exagerada e compulsória de atividade física”, alerta Talita.

“Algumas alterações físicas específicas também podem dar dicas de que o jovem está passando por algum distúrbio alimentar como a erosão do esmalte dentário, irritação constante na garganta, perda de cabelo, unhas fracas e oscilações de peso em períodos de tempo curtos”, completa a médica.

No caso dos menores, Wimer aconselha ligar o alerta quando as crianças se apresentam muito seletivas. “Os pais podem perceber quando os filhos começam a pensar muito sobre o que comer, escolher demais os alimentos”, diz.

 

Tratamento e prevenção

Segundo os profissionais, o tratamento de transtornos alimentares varia conforme a gravidade da doença, mas, de modo geral, envolve diversos profissionais, como médicos, nutricionistas e psicólogos.

“É importante alertar que o tratamento não deve ser apenas da criança ou do jovem, mas da família, visto que, em muitos casos, esses comportamentos quando na infância é induzido pelo comportamento dos pais”, observa Wimer.

Porém, como diz o ditado, melhor do que remediar é prevenir, assim, incentivar uma relação saudável com a comida e o com o próprio corpo é um dos papeis dos pais na infância e adolescência.

“Muitos estudos apontam que a relação familiar é um importante fator de proteção para estes transtornos. Uma boa relação entre pais e filhos enriquece e fortalece a autoestima e satisfação corporal. Tempo de qualidade com a família estimula a auto percepção positiva e pertencimento a um grupo que se importa. Há também de se ter cuidado com o tipo de informação obtida pelos jovens nesta era tecnológica de fácil acesso às redes sociais”, diz Talita.

 

Principais doenças

No Brasil, quando o assunto é transtorno alimentar, a anorexia, a bulimia e a compulsão alimentar são as doenças que mais atingem as crianças. Contudo, também é preciso ficar alerta para a ortorexia, que costuma atingir os pais. Abaixo, as principais características de cada transtorno.

Anorexia: “há o medo constante e intenso de engordar, junto com uma percepção errada do próprio peso e forma corporal; alguns se sentem sempre acima do peso, enquanto outros percebem que estão magros, mas se preocupam com algumas partes do corpo”, explica Talita.

Bulimia: “o jovem apresenta episódios recorrentes de compulsão alimentar, descontrole na alimentação e comportamentos de compensação inadequados para controle de peso após descontrole, como vômitos autoprovocados, uso de medicação emagrecedora e prática exagerada de exercício físico”, informa a médica do Sepaco.

Compulsão Alimentar: “se dá pela quantidade exagerada de ingestão alimentar em pequeno intervalo de tempo, acompanhado por sentimento de falta de controle; mas ao contrário da bulimia nervosa, não há mecanismos de compensação após a alimentação exagerada”, diz Talita.

Ortorexia: “é a busca da alimentação perfeita, que acaba se transformando na anorexia nervosa, ou na bulimia, mais tarde”, informa Wimer.

 

Crédito: Gazeta de São Paulo e Diário do Litoral.

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